discoteca secreta
Site sobre a música pop japonesa, o indie coreano, a dance chinesa e o rock tailandês. Mas também pode ser sobre a dance japonesa, o rock coreano, o indie chinês e o pop tailandês. E uma ou outra coisa dos festivais que eu consigo ir por ai. Atendemos também através do discotecasecreta[at]gmail.com.
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Resumo de 2010

Músicas:

1. Fall Hard - Shout Out Louds. Música das (muitas) viagens do ano. A letra sensacional tem cigarro belga, monumento genérico na Europa Central e “this trip is taking me nowhere”. Uma pena o disco novo (“Work”) ter um nome tão bobo e ser apenas razoável.  

2. Everything at Once - Superchunk. Superchunk e Moscou não têm nada a ver, mas como esse foi o disco que estava tocando em loop no ipod durante a viagem agora as duas coisas são indissociáveis. “Everything at Once” virou um domingo na Praça Vermelha. 

3. Heart Skipped A Beat - Xx. Em 2009 nem achava os Xx tudo aquilo. Até ver a banda no Primavera Sound, em Barcelona. Essa foi a melhor música do show.

4. Tired of Waiting - 2pm. A cota coreana do ano, com destaque para o drama de um dos integrantes da boyband ter sido saído do grupo depois de fazer críticas no MySpace. Em seguida os demais membros da banda aprovaram em público a saída do fulano e o flamewar gerado foi épico. O clipe abaixo é um cover da janetna, ídala do youtube.

5. Skin Collision Past - Wild Moccasins. A melhor banda desconhecida do ano.

6. Bloodbuzz Ohio - The National. Mat Berninger canastrão.

7. Nobody Gets Me But You - Spoon. Melhor música do confuso e excelente disco novo (“Transference”).

8. Sweet Talk, Sweet Talk - The New Pornographers. Cada disco novo do New Pornographers é uma vitória depois que praticamente todos os integrantes da banda viraram estrelas solitárias. Nunca se sabe se um próximo virá.

9. We No Speak Americano - Yolanda Be Cool. Música de playboy globalizada. Ouvi esse troço em praticamente todo canto visitado em 2010. O mesmo vale para “Love the Way You Lie”, do Eminen e da Rihanna, mas só essa fez o povo subir na mesa numa noite dessas no Mister Babilla.

10. Runaway - Kanye West. “Ego so big you must admit”.

Shows:

The Xx no Primavera Sound (Barcelona). Climão de início de noite no primeiro dia do Festival. Uma música emendada na outra. Conversar com a platéia pra que?

Magic Numbers no Le Botanique (Bruxelas). O oposto do Xx. Muita conversa, gente subindo no palco, roadies fazendo bis e cover do Bruce Springsteen.

Massive Attack no HSBC (SP). Muito triste quando o palco é mais animado do que o público. O HSBC era uma enorme pista VIP.

Belle & Sebastian no Circo Voador (RJ). Ou eu ou o Belle & Sebastian não está envelhecendo muito bem.

Paula Cole no Joe´s Pub (NY). Artista de sucesso nos anos 90, que rompeu contrato com gravadora e ficou dez anos sem fazer show, canta para cem pessoas emocionadas num Pub nova-iorquino. No final do show Paula agradece a todos “que ainda se lembram”. Como diria o Morrissey: “the past is a strange place”.    

Informativo de TecnoCumbia Equatoriana

Pegue a tradicional cumbia colombiana. Coloque no fundo uma base bem repetitiva e abuse daqueles efeitos sonoros que já vem programados na bateria eletrônica. Agora dê um pulinho na rua e contrate as primeiras quatro ou cinco moças que encontrar. Com pouco talento, senso de estilo, sincronia e, principalmente, roupa, as meninas já podem começar a carreira artística. A Tecnocumbia equatoriana não pede muito de seus artistas. Mas o grau de diversão é magnífico.

Veja o exemplo do grupo Doble Sentido. Fazendo uma crítica ácida da questão do gênero no Equador, o grupo canta a música “Vagabunda, Borracha y Loca”. Destaque para a coreografia desempenhada com desenvoltura na frente do Planetário de la Armada, em Guayaquil.

O nome Doble Sentido não foi escolhido em vão e as próximas duas músicas comprovam isso. Na canção “Los animales de mi marido” o grupo nos apresenta, de forma singela, uma história de conflitos familiares e ruína conjugal através de um mosaico de animais em sua associação com os diversos estados dos personagens envolvidos na trama. Temos um burro, um cachorro, um cavalo, uma pomba e, por fim, uma das integrantes do grupo aparece segurando uma perereca pela cabeça.

Se o videoclipe de “Los animales de mi marido” pode confundir pela quantidade de animais que vão se sucedendo ao longo da canção, o clipe do grande sucesso “El Bolo” é de fácil compreensão.

Mas a Tecnocumbia não se faz apenas com associações mais ou menos evidentes a questões sexuais. A banda Cuerpo Caliente, por exemplo, na música “Viejo Verde” canta o drama dos senhores que não reconhecem a sua idade. Curioso perceber como o uniforme das meninas muda de cor de uma hora para outra, às vezes no meio de um salto ou passo coreografado. Fantástico.

Conflitos domésticos são sempre bem trabalhados pelos grupos de tecnocumbia. Aqui, apresentando três músicas de Las Bebes, percebemos a hesitação do homem ao abandonar o lar e todo o sofrimento correlato em “Mosaico Shairo”. Um show de interpretação.

Um dos grandes grupos femininos de tecnocumbia, o Grupo Deseo, canta abaixo a canção “A punto de Copas”. O clipe confirma a lógica popular ao revelar como festas em que o número de mulheres é maior do que o de homens são sempre mais divertidas e explora com profundidade temas náuticos.

Para não ficarmos apenas com grupos musicais femininos, e para ajudar a conhecer um pouco mais do Equador, Maria de los Angeles canta “Se acabo quien tu queria”. Atrás da cantora são exibidas as mais belas paisagens do Equador.

Por fim, vale a pena ver o video do grupo Las Bandidas interpretando a famosa canção “Mosaico Ecuatoriano”. Entre cenas que retratam as meninas descendo no toboágua e pulando na piscina, você vai aprender muito sobre essa terra. Do grupo Las Bandidas gosto especialmente da integrante chamada Lady. Esse, inclusive, era o nome da vendedora que nos atendeu numa lojinha de discos no centro de Quito e para ela esse post é dedicado. Valeu, Lady! 

3 dias de Primavera

A temporada européia dos festivais de verão está oficialmente aberta. O Primavera Sound, evento realizado entre os dias 27 e 29 de maio de 2010 fez as honras da casa da melhor forma possível. O Festival, que celebrou o seu décimo aniversário, adotou uma escalação quase que didática para o seu lineup, fazendo um retrospecto do que mais interessante aconteceu nos anos 80, 90, 00 e apontando as promessas para uma nova década.

Deixando de lado esse inicio de texto mais institucional, preciso dizer que essa é a segunda vez que vou ao Primavera. Tem coisas na vida com as quais o aperfeiçoamento é impossível, como compreender melhor as mulheres e o Vagner Love acertar a pontaria, mas em muitas outras o ser humano aprende com os seus erros e faz melhor na segunda vez. Esse foi o meu caso com o Primavera Sound.

Na primeira vez em que fomos ao PS, em 2007, ficamos no centro antigo da cidade (Bairro Gótico). Essa localização é ótima se você não conhece a cidade e quer dar umas voltas durante o dia. Mas quando chega a noite e vc precisa ir e voltar do Festival, toda a conveniência do hotel no centro vai por água abaixo. A ida é bem tranquila já que o Primavera é um dos poucos festivais europeus realmente grandes em que vc pode ir de taxi e, na volta, dormir num bom hotel quando tudo acabar. Depois dos trinta fica meio ridículo esse negócio de acampar no meio do mato, seja na Floresta da Tijuca ou em Glastonbury.

A volta é mais complicada porque praticamente não passa taxi no Parc del Forum, onde acontece o Festival, e os ônibus são poucos e disputados a tapa por pessoas ainda movidas pelo entusiasmo dos shows que acabaram de ver e pelo álcool e entorpecentes recém-consumidos em doses pouco saudáveis. Resta o metrô, que é ótimo, mas que fecha entre 1hs e 5h e pouco da manhã. Ou seja: ou vc vai embora antes de 1h, e perde grande parte do evento, ou espera o metrô abrir lá pelas cinco.

Nesse ano resolvemos ficar num hotel que abriu no ano passado, chamado Diagonal Zero, que fica do outro lado da rua do Parc del Forum. Se você pensa em ir ao Primavera no futuro, fica a dica. O hotel é ótimo, tem bons preços (principalmente se vc dividir o quarto), e se der sorte você ainda pega um quarto com vista para o Mediterrâneo e o Auditório, palco mais legal do Festival. Outra opção logo ao lado é o Barcelona Princess. Tem um Hilton nas imediações também, mas para se hospedar lá você precisa ser rico ou importante. Parece que eles verificam isso na porta de entrada.

Você percebe que um Festival vai ser legal quando, logo ao chegar na cidade, o taxista que você pega pergunta como está indo o Botafogo no Campeonato Brasileiro e passa o resto da viagem questionando a saúda mental do Dunga por não levar o Neymar para a Copa e não escalar o Daniel Alves como titular. Dani Alves, por sinal, foi tema de todas as corridas de taxi daqueles três dias em Barcelona, salvo por uma em que o taxista, sócio do Barça, resolveu nos contar das vezes em que ele viu o Ronaldinho e o Rafa Marques cheirando todas na noite de Barcelona.

O primeiro show que vi, no dia 27/05, não teve muita novidade: metade das músicas que o Surfer Blood tocou eu já tinha escutado de tarde enquanto passava uma hora na fila para pegar a pulseira do Festival e a banda passava o som no palco ao lado.

A banda é competente ao vivo, mas tocar logo no início do Festival nunca ajuda no quesito empolgação. Que digam os Midnight Juggernauts, que tocaram às 11hs da manhã no Fuji Rock Festival, em 2008. Nessa hora você está mais preocupado em pegar um pão com requeijão e um café com leite do que ficar dançando ao som de “Into the Galaxy”.

A seguir uma olhadinha no The Fall, banda que já tinha visto em 2007 e que voltou ao Festival por votação popular no fórum do evento. Aliás, o fórum do Festival merece um post em separado para comentar o folclore criado pelos usuários e a entidade quase mística e soberana que é o senhor Gabi Ruiz, um exemplo - para o certo e para o errado - da dinâmica de comunicação entre organização de Festival e seu público.

O show do The Fall é um exemplo claro de falha na Matrix. O vocalista estava vestindo a mesmíssima roupa que ele usou em 2007, os trejeitos eram os mesmos e o lineup trazia poucas novidades. Lembra da cena do gato que passa duas vezes na porta, lá no primeiro Matrix? É mais ou menos assim que eu me senti no show do The Fall.

Meio festival então migrou para o palco Ray Ban, com a sua linda localização, tendo o Mediterrâneo ao fundo, para ver o The Xx. O show é arrebatador. Os ingleses falam pouco e tocam muito. A simplicidade, tanto das músicas como da cenografia (que é toda montada só em cima de muito gelo seco e luz) compõe o clima ideal. Taí um hype que valeu a pena. Os singles “Vcr”, “Basic Spaces” e “Islands” foram cantados por uma enorme massa de adolescentes italianas e hispters franceses vestidos de cosplay do Phoenix.

Logo depois, no palco principal, o Superchunk fez um show empolgante, cantando os clássicos e anunciando que no final do ano sai um disco novo, incluindo as músicas do EP “Learned to Surf” do ano passado.

O Festival então se dividiu bem entre o pessoal que foi ver o Wild Beasts, no palco Pitchfork, e aqueles que foram prestigiar o Broken Social Scene, na esperança de ver a Feist. Não posso falar do show dos Wild Beasts porque fiquei com a segunda opção, mas soube que só tinha gente legal por lá. Seja lá o que isso quer dizer. 

O show do Broken Social Scene dividiu opiniões. Esse era um dos shows que eu estava mais animado para assistir, mas não sei se foi a ausência da Feist ou o início de uma possível chuva que me tiraram um pouco o bom humor. O coletivo BSC parece uma reunião de integrantes da burguesia folclórica carioca num bar obscuro da Lapa. Não dou um ano para eles tocarem na Fundição Progresso ou no Teatro Odisséia.

A moça que substitui a Feist nos shows é um caso especial. Nada contra você ser esquelética e desgrenhada. Nem contra você passar o show todo descalça (a Florence, dois dias depois iria fazer o mesmo com muito mais charme), mas a moça do BSC parecia estar sob o efeito de narcóticos fortes e só chegava perto do microfone na hora de cantar a sua parte em poucas músicas que dependiam do seu vocal (como “Shoreline” e “All to All”). O resto do tempo ela ficava zanzando pelo palco feito uma alma penada, olhando pro nada, pensando na vida e bebendo água. Queria um emprego desses.

O Big Pink fez um show complicado. Por mais que eu goste do disco, precisamos admitir que o grupo precisa de mais músicas que funcionem ao vivo. Na ausência de mais duas ou três músicas que possam ocupar o tempo e animar o pessoal, o jeito mesmo é tirar a jaqueta e bancar o maluco, estratégia que funcionou na apresentação no Primavera até os primeiros vinte e cinco minutos. Depois foi um marasmo só. Justiça seja feita: “Velvet” foi uma das músicas que mais contagiou a platéia nessa noite (mas, de novo, foi a terceira música do show, logo depois de “At War with the sun”). Assim fica difícil.

Nunca gostei de Pavement porque nessa época eu gostava de outras coisas inomináveis, mas devo dizer que descobri a banda depois da época e curti muito o show. Conhecidos por fazer shows irregulares, o grupo presenteou o público do Primavera com uma apresentação descontraída, cheia de hits e participações especiais. Destaque para a dancinha de um integrante do grupo com outro do Monotonix, que havia tocado mais cedo.

No final da noite, quando metade das pessoas do Festival já estava muito louca, entraram em cena os atos do Fuck Buttons, Delorean e Moderat. O Fuck Buttons atraiu uma platéia meio catatônica. Sentados na arquibancada do palco RayBan, adolescentes e tiozinhos eram hipnotizados e tinham os seus cérebros formatados ao som dos blimp, prank e tchzuu que saíam das carrapetas dos meninos.

O Delorean, jogando em casa, atacou o público com o seu ritmo que mistura o frescor dos Klaxons com o constrangimento de se assistir ao show dos irmãos Hanson. O Moderat, para fechar a noite, apresentou um show que seria ótimo se no telão da esquerda não ficasse aparecendo um microsoft error a todo momento e o som do sempre bugado palco Vice não deixasse o grupo na mão vez ou outra.

Contente com o saldo do primeiro dia fomos para o hotel, não sem antes passar para ver o palco ATP no qual, para uma platéia de sete ou oito pessoas, o Dr.Kiko tocava uma seleção de músicas muito estranha. Claramente o dia já tinha acabado.

A segunda noite começou com um dos shows mais aguardados: os fofos dos New Pornographers. O grupo todo foi, salvo a Neko Case. Ela deve continuar em reclusão depois de ter a sua música “People got a lot of nerve” identificada como uma profecia macabra na parte que relata a morte de uma pessoa por uma baleia orca no tanque de um parque aquático.

Com ou sem Neko Case o grupo se sustenta muito bem ao vivo. A sequência de hits e as boas faixas do disco novo (Together) garantem a diversão. Foi especialmente interessante ouvir “Sing me Spanish Techno” na Espanha, digo, na Catalunha.

A Best Coast tocou logo em seguida no palco Pitchfork. Diferente dos EPs, nos quais é dificil ouvir a voz da vocalista, já que a produção adota uma remixagem meio shooegaze infato-juvenil, no show a cantora se destaca e as músicas ficam boas sem todos os efeitos modernos e descolados que colocaram nos discos. Destaque para o momento em que a cantora disse estar sentindo um cheiro de maconha no ar. Agora conta uma novidade… O show foi bem legalzinho, mas para ser perfeito acho que faltou soltar um pastor alemão policial anti-drogas em cima da galera bem depois desse comentário cretino. Isso sim seria ousado.

Fiquei com a impressão de que no final do show ela agradeceu às “Internets”. Desse jeito mesmo. Finji que não ouvi e fui comer um perrito caliente.

O show do Spoon, logo em seguida, foi sensacional. Sou suspeito porque adoro a banda e foi o segundo show deles que vi. O primeiro foi na encantadora cidade de New Haven, nos EUA, e o grupo tocou num bar micro para uma platéia micra (e fazia um frio descomunal). Dessa vez o cenário foi outro e o público compareceu em grande número para prestigiar os americanos. As músicas do novo disco funcionam bem ao vivo, com exceção de “Is Love Forever?”, que só serve para quebrar o clima.

O Beach House tocou depois no palco ATP para um público igualmente gigantesco. A cenografia estranha, com quatro ombrelones brancos, cheios de fru-fru, cuja ponta piscava luzes de cores diferentes deram o clima da performance. Um luxo só.

No placo principal o Wilco voltou ao Primavera depois do show de 2007 para tocar para uma massa que cantou o show inteiro. “Jesus etc.” é certamente um dos grandes hinos indies dos anos 00 e o disco novo parece ter agradado.

Lá no palco Pitchfork o Cold Cave fez uma apresentação genial. As letras das músicas não são necessariamente as mais animadas, o grupo também não se move muito no palco, mas o público dança muito ao som de hits como “Love comes close” e “Youth and Lust”. Não sei se era por causa de algum problema na coluna, mas o vocalista passou o tempo todo cantando de perfil e olhando fixamente para a extremidade esquerda do palco.

Do show do Marc Almond só peguei “Tainted Love”, meio que indo em direção ao palco em que começava o show dos Pixies. Entre perder um bom lugar nos Pixies e ouvir o velho Marc cantar as agruras do amor manchado vestindo um blazer de lantejoula não tive dúvidas: foi “Tainted Love” na cabeça.

O show dos Pixies foi o time of your life de muita gente da platéia. As inúmeras cotoveladas e o desespero a la Beatlemania de uma brasileira muito louca na minha frente denunciaram que aquilo não ia acabar bem. Quando cinco tiozinhos na faixa dos quarenta começaram uma rodinha de empurra-empurra eu achei por bem sair dali rápido.

Lá nos confins do festival, no palco Vice, o Yeasayer encerrava a noite com um show feito para aqueles que levam o Brooklyn no coração, incluindo garotos de vestido e arco no cabelo e toda uma massa de gente de óculos de armação preta. Nessa altura do campeonato já não aguentava mais essa overdose de Brooklyn, mas o show da banda é bom, especialmente quando tocam hits como “One”.

No caminho de volta para o hotel, uma olhada no Bloody Beetroots Detah Crew 77 confirmou que o simbionte alienígena Venon jamais deveria ter trocado de hospedeiro e enveredado pela música eletrônica. Sorte do Homem-Aranha.

O último dia do festival começou no palco do Auditório Rockdelux, um dos cenários mais legais do evento. O Clare and the Reasons, acompanhados pelo lendário Van Dyke Parks tocaram por duas horas mágicas sucessos que maravilharam metade da audiência. A outra metade, cansada do show do Bloody Beetroots na noite passada, dormiu sem muita cerimônia.

 

Do lado de fora do escurinho do auditório, Florence and the Machine fez um daqueles shows em que você percebe que a carreira do artista está em transição. Apesar de ter feito sucesso com apenas um disco, claramente a Florence já tem postura (e infra-estrutura) de popstar. O risco agora é não exagerar, como pedir para a platéia cantar “Cumpleaños feliz” para a sua agente e seguir a coreografia de uma dancinha idiota.

Lá no palco ATP o Built to Spill voltou ao Primavera para continuar as reclamações do show de 2007, quando o vocalista mais brigou com a produção sobre a qualidade do som do que cantou efetivamente o setlist escalado. Nesse ano o equilíbrio entre chateação e música foi melhor para a platéia e a banda tocou clássicos como “Traces” e “Going against your mind”.

O Sunny Day Real Estate, de volta dos mortos, fez um show para os fãs que esperavam há tempos pela reunião da banda. Tocando logo de cara “Friday”, “In Circles” e principalmente “Seven”, o sucesso foi garantido.

Atrasado quase meia-hora, o Gary Numan ensinou a todos uma importante lição: nunca toque o seu principal (e para muitos o único) hit logo no início da apresentação. No segundo seguinte ao término da excelente interpretação ao vivo de “Cars” metade do público já tinha dado as costas e se direcionava para o show dos Pet Shops Boys no palco principal.

O último show que vi do Festival foi o dos Pet Shop Boys. Deve ser muito bom para a banda tocar para uma platéia gigantesca como a do Primavera depois de fazer aquele triste show na Barra da Tijuca em 2009. A cada apresentação da dupla aqui no Rio um número escandalosamente menor de pessoas fazem a viagem até o lugar que hoje se chama Citibank Hall para cantar “It´s a sin” no bis. Acho que em 2011 o show deles vai ser no quintal lá de casa. Garanto que teria mais gente e mais animação.

Curiosamente a escalação dos PSB foi duramente criticada pelos usuários do fórum do Festival, alegando que os anos oitenta já acabaram e que a dupla não tinha lugar como headliner num Festival do porte e com o perfil do Primavera. O show dos PSB desmentiu os detratores e empolgou a massa. Mais uma comprovação de que, na dúvida, a Internet está sempre errada.

Y así pasaron los días em mais um Primavera Sound.

As fotos que fiz por lá estão aqui e os videos aqui.

Aquecimento Primavera Sound: Clare and the Reasons

Uma das últimas confirmações do lineup do Primavera Sound foi uma surpresa. Já tinha ouvido falar de Clare and the Reasons no passado, mas nunca tinha parado para escutar a banda. Se arrependimento matasse eu teria ligado para a Clare just to say goodbye…

Alô? Clare? Por onde você andou esse tempo todo?

O disco da banda que saiu em 2009, “Arrows”, dizem não ser tão legal quanto o primeiro “The Movie”. Eu acho os dois discos ótimos embora a minha seleção de melhores músicas da banda seja, ao que parece, bastante diferente do gosto do próprio grupo já que nem acho os singles tão legais assim. As melhores faixas são aquelas mais obscuras e que nunca viram a luz de um video amador no You Tube.

A primeira faixa do disco novo “All the Wine” ganhou um clipe engraçadinho. Só não gosto dessa moda horrível de se usar boina marrom e de se escrever fim com “n” no final (‘fin”) para parecer mais artístico.

Uma segunda faixa que ganhou um video no You Tube foi “Ooh you hurt me so”. O refrão da música - que, por sinal, é esse mesmo - repete tantas vezes que você passará o dia reclamando que esse outro alguém misterioso te machuca muito. Faixa desaconselhável para os que querem relacionamentos duradouros.

Vale ainda ver um clipe da música Wake up (you sleepy head). A música é o de menos. O que vale é a felicidade da banda ao encontrar um esquilo acrobata num cabo de eletricidade no meio da rua. Esse povo se contenta com tão pouco.

Clare and the Reasons toca no Primavera com o lendário Van Dyke Parks. Aqui o grupo com VDP na performance de “He needs me”. E ainda tem gente reclamando que o lineup do festival está velho e barulhento…

Cadê Khaled? Depois embalar o Brasil há mais dez anos atrás com “El Arbi” você poderia se perguntar por onde anda o bravo Khaled, ícone do surto de música árabe que varreu os nossos trópicos num verão muito remoto. A boa notícia é que o Khaled vai bem obrigado e no meio de 2009 lançou essa música chamada “Benthi” acompanhado da Melissa (ela é importante, já gravou com o Akon). O clipe de Benthi, por sinal, é sensacional. Khaled interpreta um pai nostálgico que não consegue acompanhar o crescimento da filha e fica em casa vendo álbuns da infância da meninha. Ele põe a cabeça na parede, chora e sofre até não poder mais porque o namorado da pequena não é “um homem gentil e bom”. Tudo o que ele deseja é que a filha tenha “um casamento feliz” e ao final avisa que um dia ela perceberá que ele tinha razão. Khaled é mesmo um artista do nosso tempo.

Enterrando 2009

É como disse o Veríssimo (ou foi o Millor?): “2009 até que foi um bom ano. Mas que não se repita, viu?”. Quanto mais distante ficamos de 2009 mais eu me surpreendo com o desastre que foram aqueles dias e noites do ano passado. Mas dentre as coisas boas de 2009 sem dúvida está o playlist do ano.

Se 2008 foi o ano do rock japonês (com direito a show do The Birthday no Fuji Rock Festival), 2009 foi o ano da descoberta da irresistivelmente grudenta música pop coreana (tudo graças à surpreendente viagem para Seul). Por isso, mais uma vez, a lista de músicas do ano fica meio dividida entre os darlings habituais do indie ocidental e as extravagâncias embaraçosas orientais.

É meio difícil de explicar o que Danger Mouse/Sparklehorse e Girl´s Generation fazem junto na mesma lista, mas 2009 foi isso aí:

1. Wonder Girls - “Nobody”. Diferente do ano passado, no qual foi fácil perceber que “Love the World”, da Perfume, foi a música do ano de tanto que ouvimos no Japão (e depois), em 2009 foi bem mais complicado decidir entre Wonder Girls e SNSD. A minha credibilidade acadêmica já estaria perdida com qualquer das duas opções, mas resolvi ficar com Nobody por uma série de motivos. Tudo bem que o single em coreano é de 2008, mas a versão em inglês é de meados de 2009. Foi especialmente interessante conversar com pessoas aleatórias em Seul sobre a febre que essa música lançou por lá e ainda hoje fico por aqui tentando entender alguns movimentos da coreografia. A parte do jacaré que anda para trás permanece um mistério sem solução.

2. Girl´s Generation (SNSD) - “Gee”. Gee é a música recordista em duração no primeiro lugar de um dos mais importantes charts coreanos. Se fosse no Brasil, equivaleria a dizer que “Ilariê” foi a música que mais tempo ficou como número um nas paradas das rádios brasileiras, tocando a cada dez minutos em todo lugar que se vai. O clipe de Gee é cheio de excessos: é meigo demais, tem figurinos demais, coreanas rebolantes demais… Não é dificil entender porque fez tanto sucesso.

3. Yozoh - “모닝 스타 (Morning Star)”. Que a Yozoh é uma fofa todo mundo já sabia. Personalidade do indie folk coreano, a menina tem subido rápido no estrelato por lá. Em 2009 ouvi muito essa faixa do disco “Traveler”, que saiu no final de 2008. Fiz um video dela cantando Morning Star lá no YouTube durante a sua apresentação no Grand Mint Festival.

4. My Aunt Mary - “푸른 양철 스쿠터”. Se não fosse aquela a minha primeira noite em Seul, os dois elefantes que eu carregava em cada perna por causa do jetlag e o Parque Olímpico ficar lá no Deus me livre eu teria ficado até o final do show do My Aunt Mary no GMF2009. No final das contas, acabei não vendo eles tocarem essa que é a minha faixa preferida do excelente disco “Circle”, também do final de 2008. Mas o clipe é ótimo e sempre me lembra das andanças por lá.

5. Patrick Wolf - “Hard Times”. Já tinha escutado coisas do Patrick Wolf antes dele vir ao Planeta Terra no final do ano, mas, sem dúvida, esse último disco é o melhor de todos. Em ano no qual se trabalhou até dizer chega (e a saúde cobrou por isso) “Hard Times” virou quase um hino de 2009. Só não foi a música do ano por causa da invasão coreana.

6. Kings of Leon - “Sex on Fire”. A minha música favorita no Rock Band (talvez por ser a única que eu sei cantar meio que razoavelmente). O disco do KOL foi o melhor disco de 2009 lançado em 2008. O Grammy concorda.

7. Perfume - “Dream Fighter”. O single de Dream Fighter saiu em 2008 mas como a música faz parte do disco Triangle, que saiu em 2009, ela entra no playlist do ano no lugar de One Room Disco, sucesso do grupo de 2009 (mas que eu acho meio fraquinho). Perfume é aquela coisa que você meio que não admite que gosta depois dos trinta, mas convenhamos que essa música é infernal. E a coreografia das meninas sempre é um espetáculo próprio. Às vezes gosto de passar esse clipe para amigos meus que nunca viram uma apresentação desses grupos de jpop e peço uma opinião. Depois de algumas tentativas fica claro que se trata de uma experiência alienígena se você não tem as premissas básicas para achar que isso tem algum lugar no mundo. Seja lá quais forem essas tais premissas… é melhor deixar isso para a análise.

8. The Cribs - “We were aborted”. O disco de 2009 dos Cribs foi disparado o que eu mais escutei em 2009. “Ignore the ignorant” é igual a qualquer outro disco dos Cribs. Só que melhor ainda. Gosto de tantas faixas que “We were aborted” só entrou aqui porque, segundo o meu Ipod, foi a faixa mais executada do ano. Mas tranquilamente poderia ter sido “Cheat on Me”, “Hari Kari”, “Emasculate me” e por ai vai. O show deles é bem ok, mas no cd eles cantam melhor.

9. Friendly Fires – “Skeleton Boy (EP version)”. Por muito tempo essa foi a minha música do ano. Que boa coisa foi o FF ter reinventado essa faixa com sonoridade diferente daquela constante do disco! O clipe, para mim, ainda é uma das melhores coisas de 2009. Junto com o Patrick Wolf esses foram os dois shows que eu perdi de bobeira no ano passado.

10. Arctic Monkeys - “Conerstone”. Taí. Nunca gostei muito de Arctic Monkeys. O show que vi deles na Dinamarca não teve nada de especial. Lembro que o vocalista ficava mais reclamando da eliminação da Inglaterra da Copa do Mundo por Portugal no dia anterior do que qualquer outra coisa. Mas o disco novo é ótimo e “Cornerstone” é a jóia da coroa. Todo mundo já falou da letra, mas não custa repetir que beleza é isso ai. Seja lá o que ele quer dizer.

11. Danger Mouse & Sparklehorse (ft. Flaming Lips) – “Revenge”. Música que sempre me lembra o trem de New Haven para NY. É triste igual à paisagem que fica passando naquelas quase duas horas de monotonia industrial e de quintal abandonado de casas norte-americanas pós-crise financeira de 2009.

12. Little Boots - “Tune into my heart”. Para quem viaja muito e anda meio sentimental não tem como botar essa da Little Boots lá em cima. Junto com a La Roux esses são os dois shows menores que eu gostaria de ter visto em 2009.

13. National & St. Vincent - “Sleep all Summer (Crooked Fingers cover)”. Idem.

14. School Food Punishment – “Egoist”. SFP foi uma das grandes coisas que achei no Emusic em 2009. E olha que o Emusic é um pessimo lugar para música japonesa. Egoist faz parte do Ep Riff-Rain, do começo de 2009. Depois o grupo só fez crescer.

15. Camera Obscura – “Forests And Sands”. O disco do Camera Obscura é também um dos mehores de 2009. Poderia encher o playlist do ano com quatro ou cinco músicas.

16. Metric – “Gimme Sympathy”. Everybody loves Emilly.

17. Doves – “Kingdom Of Rust”. O clipe é legal, embora o final seja meio óbvio. Gosto da letra e dos arranjos. Por algum tempo pensei que seria a música do ano.

18. School Food Punishment – “Butterfly Swimmer”. Até lembrar que existe uma modalidade de natação chamada “borboleta” sempre penso primeiro numa borboleta mergulhando dentro de uma lâmina de água. Isso deve querer dizer alguma coisa.

19. The Cribs - “Cheat on Me”. No disco é tão legal. Pena que ao vivo o irmão Crib número 3 (ou seria o número 2?) desafina geral.

20. Zero Assolutto - “Per Dimenticare”. O clipe é mais legal do que a música em si, mas isso tocava direto na MTV italiana lá pelo meio do ano. Queria um casamento assim.

21. Potato - “Circle”. A segunda melhor descoberta do ano foi essa cena emo do rock Tailandês. O disco do Potato de 2009 é excelente.

22. The Mary Onettes – “Dare”. O disco Islands do Mary Onettes foi uma das grandes supresas do ano. Só não precisava no ano em que tive lá uns problemas de saúde aparecer um disco com a faixa denominada “o desaparecimento da minha juventude”. Um pouco de mentira vai bem de vez em quando.

23. The 1900s – “Collections”. Queria tanto pegar a letra dessa música mas não acho em canto nenhum das internets.

24. Kings of Leon - “Notion”. O melhor single de 2009 do KOL, pena que Sex on Fire é tão bom que eu resolvi esquecer que ele é de 2008.

25. Manic Street Preachers - “Me and Stephen Hawking”. Todo ano em que sai disco novo dos nossos comunistas de boutique preferidos não pode ser tão ruim assim.

26. PUFFY – “Dare Ka Ga”. Peguei essa faixa num daqueles playlists da Oricon e ela não saiu da cabeça o mês inteiro. Tava ouvindo isso no dia em que o Rio ganhou a disputa para sediar as Olimpíadas. Cartoon Network feelings.

27. The Most Serene Republic – “Heavens to Purgatory”. Música para ouvir na fila da vistoria anual do Detran.

28. Paramore – “Ignorance”. Aqui dentro bate um coração emo.

29. Passion Pit – “The Reeling”. Talvez uns dos poucos discos de 2009 que gosto do início ao fim quase que igualmente de todas as faixas. Pode parecer estranho, mas fiquei ouvindo o disco em loop enquanto dava voltas no templo de Luxor, no Egito, esperando a hora de voltar para o Cairo. Faraós e Passion Pit dão uma combinação e tanto.

30. Fitness Forever - “Vacanze a Settembre”. Gostei de início pela piada e quando fui ver já estava ouvindo o disco como um todo. Deve ser legal ser indie na Itália.

31. The Gaslight Anthem – “Great Expectations”. Como nunca gostei do Boss quando era para gostar, agora resolvi achar que Gaslight é a salvação do velho rock de estádio americano. Pena que esse posto já foi ocupado pelos Killers.

32. God Help The Girl – “A down and dusky blonde”. Enquanto não vem o disco novo do Belle and Sebastian em 2010, o disco do God Help the Girl foi um bom aperitivo.

33. LoveLikeFire – “William”. Oh, vida! Oh, céus! Porque tudo é tão sofrido?

34. The Cribs - “Hari Kari”. If you combine flattery with a long history / There are no easy answers.

35. Yozoh & JP - “Color of City”. Já falei que a Yozoh é uma fofa?

36. Soft Club - “It doesn´t have to be beautiful”. Descoberta do emusic. Nem estorou nem nada, mas as letras são ótimas e num clipe bem legal de outra faixa do disco a dupla se questiona: “it´s not like people are going to care for much longer about our band”. É verdade.

37. Neko Case - “People got a lotta of nerve”. Nem gosto do disco, mas na falta de um lançamento dos New Pornographers, a carreira solo da Neko Case deu pro gasto (e gerou boas situações no Rock Band). Pena que essa música não vai mais tocar na rádio depois do acidente com a orca no Sea World. Pobre Neko Case. Vai ter que voltar pra banda, baby.

38. La Roux - “Bulletproof”. O hype valeu a pena. Um dos discos do ano junto com aquele da sua irmãzinha Little Boots.

39. The Twilight Sad – “I became a prostitute”. Tudo bem que o playlist do ano tem duas músicas com prostituta no nome, mas nenhuma delas é confessional. Essa então…

40. Ben Folds – “Hiroshima (Japanese version)”. Por mais ridículo que possa parecer, era essa a música (na versão em inglês) que estava repetindo na minha cabeça durante todas as cinco horas da banca de doutorado. Especialmente a parte “they are wachting me/wachting me fall”

41. The Boxer Rebellion – “Spitting Fire”. Título que combina muito com o ano. Grande sucesso do início de 2009.

42. Yeah Yeah Yeahs – “Heads will roll”. 2009 foi mesmo o ano do lobo.

43. G-Dragon – “Heartbreaker”. Pode ter suspeita de plágio, dizer que o nome é ridículo, mas ninguém lançou um disco com a capa tão cheia de estilo como o G-Dragon. Ficou lindão no escritório.

44. Super Junior-M – “Super Girl (Chinese version)”. Invertendo a lógica da economia mundial, é produto estrangeiro (no caso coreano) exportado e consumido na China.

45. Phoenix - “Liztomania”. Nem parece aquela bandinha francesa cover do Strokes que tocou no Roskide de 2006. Hoje eles praticamente são os patrões do mundo.

46. Basement Jaxx - “Raindrops”. Momento música de playboy, parte 1.

47. 9mm Parabellum Bullet - “Cold Edge”. Mais uma excelente descoberta direto das paradas da Oricon. Eles tocaram no Fuji de 2009.

48. The Stars of Track and Field - “Through the Static”. Só eu gostei disso não é mesmo? Nem no Youtube tem.

49. The XX - “Island”. Os queridinhos de metade das pessoas que eu conheço. Acho disco apenas legal, mas sei quando sou minoritário. Vamos ver como eles vão se sair ao vivo em 2010 no Primavera Sound.

50. Tiesto feat. CC Sheffield - “Escape Me”. Momento música de playboy, parte 2. Fiquei na dúvida se ia essa ou aquela do Tiesto com a Tegan and Sara.

51. Annie – “Songs Remind Me of You”. Em tempos de bandas ressuscitadas do além, taí um retorno que eu gostei de ver.

52. Eels – “Beginner’s Luck”. Descobrir o disco “Hombre Lobo” em Hong Kong barra o fator bizarro da combinação Passion Pit e templos egípcios. Pena que só fiquei a metade de uma noite por lá (e teve aviso de tufão, caiu um toró e o Michael Jackson tinha morrido de manhã). Por tudo isso acho que vou lembrar de Hombre Lobo por um bom tempo.

53. Lady Gaga – “Bad Romance”. O meu vizinho adora e eu também. Só não grito e bato palmas no refrão. Mas gostaria.

54. The Whitest Boy Alive – “Courage”. E pensar que esses caras fizeram show no Joquei Clube naquelas exibições de cinema em tela gigante. O ingresso esgotou mas algo me diz que mais pelo filme do que pela banda em si, que continua não sendo lá muito conhecida por aqui.

55. Dirty Projectors & David Byrne – “Knotty Pine”. Outra música do início do ano que marcou janeiro e fevereiro. Foi a “Strange Overtones” de 2009.

56. Yuksek feat. Amanda Blank – “Extraball”. Ouvi essa de orelhada pela primeira vez na Austrália para ouvir direto pelo resto do ano.

57. Pet Shop Boys – “Did you see me coming?”. Coitadinhos dos Pet Shop Boys. Vieram de tão longe fazer um show na Barra da Tijuca para um punhado de tiozões que nem sabiam muito bem aquelas músicas todas. O show de 2009 do PSB no Rio foi quase embaraçoso. Ouvi dizer que em 2011 ele vão tocar no quintal lá de casa. Garanto que vai ser mais animado. Em tempo: “Yes” é ótimo. Como sempre.

58. Matt & Kim – “Lessons Learned”. Tá na hora das pessoas pararem de tirar a roupa em nome da arte. Tá na cara que elas só querem tirar a roupa e estão usando a arte como desculpa. Elas tirariam a roupa de qualquer jeito, com ou sem arte. O sentido de tudo isso é secundário pois o que importa é ficar pelado. No Times Square então...

59. Editors – “Papillon”. Alguém ainda leva o Editors a sério? Os caras mudam de sonoridade absurdamente, fazem shows muito mais ou menos e tem umas letras quase constragedoras. E ainda assim vão ser lembrados quando terminar a década. Do disco novo dá para salvar umas duas ou três, ou até mais se você realmente estiver disposto a acreditar. “It kicks like a sleep twitch!”

60. Vivian Girls – “When I´m gone”. As Plasticines do Brooklyn.

61. Gil Mantera´s Party Dream – “Dreamlovers”. É uma versão sexy do Tron original. Trocando a motoca por uma cobra naja prateada.

62. Dear And The Headlights – “Talk about”. “Bêbado como nos tempos da Bíblia” é o nome do disco que eu queria gravar. Pena que o Dear and the Headlights chegou antes.

63. Andrew Bird – “Oh no”. É nova do Andrew Bird? Tem assobio? Tá no playlist do ano.

64. Beirut – “My Night With The Prostitute From Marseille”. Nem me incomodei para ver o show deles no Brasil em 2009 porque nem gosto tanto assim, mas essa faixa tocou muito no início do ano. “É música de casamento”, como diz um amigo. Ou de despedida de solteiro.

65. Silversun Pickups – “Substitution”. Uma excelente faixa de um excelente disco. Até a voz do vocalista está menos incomodativa dessa vez. E o clipe dispensa comentários. Todo mundo que já brincou de dança das cadeiras na festinha da firma sabe como isso nunca termina bem. 

66. The Pains Of Being Pure At Heart – “A Teenager in Love”. Foi a primeira descoberta de 2009 já que ouvi o disco pela primeira vez no dia 1º de janeiro de 2009. A banda cresceu muito de lá pra cá e ajudou a consolidar a cena shoegaze juvenil de 2009.

67. Pocketbooks – “Footsteps”. Gostei dessa banda desde que ouvi ‘Falling Leaves” numa coletânea de bandas indies de 2008. Em 2009 o grupo lançou um disco que não emplogou, mas “Footsteps” é ótimo.

68. Love Is All – “Last Choice”. Dá um excelente toque de celular. Só não deixa chegar na parte da cantoria para não espantar a vizinhança.

69. Kasabian – “Vlad, the Impaler”. Nunca fui muito fã de Kasabian, mas depois do show que vi dos caras no Royal Albert Hall em 2009 estou começando a rever os meus conceitos. Por mais que eles estivessem jogando em casa, foi provavelmente a melhor performance (com a platéia mais entusiasmada) que vi no ano passado.

70. Bricolage – “Footsteps”. Parece que começou a faltar originalidade para nomes de música. Ainda bem que acabou a lista.

Qual é a sua banda finlandesa favorita? A minha é a Husky Rescue. O grupo, liderado por Marko Nyberg, acabou de lançar um disco novo chamado Ship of Light. Os vocais da Reeta-Leena Korhola (que nome lindo, não é mesmo?) se destacam pela delicadeza na faixa “Sound of Love”, cujo clipe começa a cirular no You Tube. Não sou lá muito fã da nomenclatura, mas se é um ambient-pop dos melhores. Adorei também o fato do video acabar com a queda de uma persiana branca suja daquele tipo quebra-luz. Muito chique.

No final de semana passado as Wonder Girls se apresentaram num evento chamado PopCon, em Nova York. Eu até estava por lá mas não consegui prestigiar a molecada de treze anos que deve ter infestado o Nassau Coliseum já que as meninas estavam abrindo para artistas do calibre de Justin Bieber. Foi uma das últimas (senão a última) apresentação da Sunmi com o grupo, já que ela vai dar um tempo na carreira artística para se dedicar à vida acadêmica. Sorte a dela que a vida acadêmica também é cheia de palcos. Só o tempo que a moça passou se rebolando pela Ásia afora já valia um MBA. Pena que o som desse video não ficou muito bom, mas o grau de histeria de outros videos no Youtube leva a crer que a tentativa de ser big in USA pode estar dando certo. Tudo depende do CD com músicas que inglês que sai agora no primeiro semestre.

“Oh! O-Oh-Oh! Ah! A-Ah-Ah!”

Sentiu um distúrbio na força nessa semana? Pois é. As Girl´s Generation (SNSD) voltaram com música, clipe e disco novo. É coisa demais para assimilar. A música nova chama-se “Oh!”. Nada original se você levar em consideração que é mais um single grudento que leva no nome uma exclamação.

O clipe de Oh! é bem menos divertido do que o de Gee e tem um clima de novelinha de colégio mexicana com uniformes cafonas. Se não fosse pela caracterização americanizada (hmm, será que as meninas vão tentar cruzar o Pacífico?), o clipe passaria tranquilamente por um episódio de Rebeldes. A sonoplastia do desfecho então, no qual o grupo de cheerleaders encontra o grupo das badgirls, é final de capítulo de novela na certa.

Esse video teve mais de um milhão e meio de acessos em quatro dias.

Gostei mais dessa música na apresentação ao vivo que o grupo fez no Music Core. O público canta junto o diíficil refrão “Oh! O-Oh-Oh! Ah! A-Ah-Ah!”. Sing-along garantido (para os falantes de todas as línguas).

E vale lembrar que Oh! é também o nome do novo disco do grupo. O álbum vai reunir algumas coisas que saíram em EPs no ano passado e as músicas novas para 2010.

Banda de estimação, parte 1: Shout out Louds

Adoro essas bandas que fazem algum sucesso comercial mas nunca se tornam realmente grandes. Se para a maioria eles podem ser uma espécie de one-hit wonder, para outros vira item de coleção, como uma verdadeira banda de estimação.

No caso dos Shout out Louds a história é bem estranha porque o seu primeiro disco, Howl Howl Gaff Gaff (que nome excelente, não é mesmo) fez um bom sucesso. Nessa época a banda sueca emplacou música na série de playboy do momento, que era a O.C, em comercial de carro, na trilha sonora de comédia romântica, e por ai vai. Os caras eram um mini-Franz Ferdinand (dizer que eram um mini-Strokes seria exagero). Fizeram um bom sucesso na Europa e ficou por isso mesmo.

Nessa época vi o show deles no Roskilde, na Dinamarca, e adorei. Howl Howl Gaff Gaff é definitivamente para mim um dos dez melhores discos de indie rock da década. Mas o segundo álbum não empolgou muito e a última notícia que se teve do grupo foi o de um show no Studio SP. Com todo o respeito à casa paulista, do Roskilde pra lá vai um bom chão no starway to heaven.

Agora aparece o terceiro álbum, chamado Work (que nome ruim, não é mesmo?). O disco vazou na internet e de tudo que eu escutei rapidamente me chamou a atenção essa faixa “Fall Hard”, que é o primeiro single.

Fall Hard não apenas tem a pegada antiga do Shout out Louds, mas também vem acompanhada por um clipe sensacional. O clima do programa de auditório da TV belga não poderia ser melhor e a banda parece brincar com o tipo de atenção que eles mesmos tem recebido por ai.

Para um janeiro meio devagar (salvo pelo Yeasayer e pela Holly Miranda), esse é o single que termina o mês como a “primeira melhor música” do ano. If you fall hard, I fall harded.

E o disco novo dos Los Campesinos!, hein? Que bomba…